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4.8.15

Opinião: Reconhecer o sucesso das produções infantis do SBT não dói


Quando a gente assiste ao Troféu Imprensa e vê uma novela infantil indicada entre as finalistas, como foi os casos de Carrossel e Chiquititas, a primeira coisa que vem na nossa mente é: infelizmente, apesar de todo o sucesso, elas não tem chance. Afinal, a preferência é sempre das novelas adultas, mesmo que não tenham feito nem 50% do sucesso comparado com a infantil em questão.

É como se as novelas infantis fossem um subpadrão de novelas, em um nível abaixo das demais. Existem as adultas, novelas “normais”. E as outras. As “novelinhas”. Soa carinhoso e pejorativo no mesmo grau.

Pois bem, ontem o SBT estreou “Cúmplices de um Resgate”, sua terceira novela em sequência na linha infanto-juvenil. E mostrou, mais uma vez, evolução no trabalho. Um trabalho que não precisa competir ou ser comparado com uma novela adulta das concorrentes em termos de qualidade ou estilo. E sim criar um próprio know-how específico, afinal quem investe nesse filão solitariamente é o SBT. Não só em produção dramatúrgica infantil, mas também em atrações com esse público-alvo, especialmente nas manhãs.

Cúmplices nasce de um berço de ouro, por onde já passaram Carrossel e ainda passa Chiquititas. Estas pavimentaram um caminho durante três anos, para que a nova novela pudesse estrear e com a certeza de bons índices, graças a um público fiel no horário, independente do que vem do lado da concorrência.

Mesmo com essa certeza, o SBT mostrou um cuidado todo especial com Cúmplices de um Resgate. A começar pela abertura (veja o vídeo abaixo), toda voltada pela “dupla face” de Larissa Manoela. Em pouco mais de um minuto, o trabalho mostra a cumplicidade que as gêmeas constroem ao se encontrar, com estilos de vida e de personalidade bem diferentes, mas com um sonho em comum: serem cantoras de sucesso.


Em um primeiro capítulo bastante ágil, a autora Íris Abravanel conseguiu percorrer do lúdico à vida real para explicar a separação das gêmeas, protagonistas da trama. Para isso, foi montada toda uma superprodução com visual retrô, de reis e rainhas, bem conto de fadas, para ilustrar as cenas. Importante destacar que o ritmo frenético presente no primeiro capítulo provavelmente teve uma contribuição grande na edição, já que visivelmente a parte lúdica apresentava alguns cortes.

Com o passar do capítulo, o público pôde digerir melhor o que estava acontecendo. As passagens de cena agora são tecnológicas, simulando uma pessoa usando um tablet. Da mesma forma, existem emoticons para os animais, que são falantes. Essa foi uma parte muito bem trabalhada pela equipe, que souberam ilustrar a ficção da fala dos bichos sem se tornar algo trash. Manteiguinha e Bartolomeu foram os que mais apareceram no capítulo. Tuntum em apenas uma cena. Beijoca ainda não. A partir do segundo capítulo que vai ao ar hoje, o público poderá ver que essa linha da tecnologia também será muito presente nos contatos entre Manuela e Isabela.

Falando em Manuela e Isabela, que atriz é a Larissa Manoela. Talvez a maior revelação da sua idade em décadas. É a protagonista e a novela foi pensada pra ela (e só pra ela). Vai sustentar a trama como gente grande. Da mesma forma, Maria Pinna (Regina) é uma atriz excepcional. Incrível como a Globo abriu mão desse talento, fez bem o SBT em ir atrás e apostar nela. Juliana Baroni começou titubeante, mas a partir da invasão na empresa, começou a mostrar ao que veio. Das três protagonistas de novelas infantis, Baroni é a que mais tem carisma “sbtístico”, digamos assim. Por outro lado, Duda Nagle com seu Otávio ainda não mostrou ao que veio. Ele precisa de um grande papel, para livrar do estigma de só interpretar “playboyzinho” na carreira.

Os papéis no geral foram bem escolhidos. Bárbara Bruno e Vicentini Gomez fazem a cara de um casal italiano, até pela descendência dos mesmos. Elam Lima e Thays Gorga tiveram uma boa química juntos na cena com o Manteiguinha. Alexandre Barros como o pai da Isabela, trouxe o espírito o pai amoroso que quer compensar tudo que a mãe não te dá de carinho. E a Tânia Bondezan, sempre maravilhosa, construiu bem a figura da babá confidente e parceira, que apoia Isabela nos momentos difíceis.

Os integrantes da banda, com João Guilherme Ávila (Joaquim) e companhia, estavam em ótima sintonia. Promete boas risadas a interação deles com a síndica Meire (Valéria Sândalo), que é do núcleo cômico da novela. Aliás, fazer rir vai ser uma boa tarefa também para o motorista Damião (Nilton Bicudo) e para o sanfoneiro Ofélio (João Camargo), que devem ganhar mais espaço no decorrer da exibição da trama.

Outro destaque e que não pode ser esquecido é a trilha sonora. “Déjà Vu”, da Pitty, casou perfeitamente com a personagem Regina. A trama ainda conta com “De Janeiro a Janeiro”, com Roberta Campos e Nando Reis. Isso sem contar, claro, com as músicas na voz de Larissa como a da abertura e a simpática “Oi, Psiu”.

Ainda tem muito o que acontecer na trama. Os clipes ainda não estrearam e personagens, como a Priscila (Giovanna Chaves), ainda não entraram em cena. Sem contar a ousada ideia de trabalhar um padre e um pastor juntos, com nomes de Lutero e Agostinho, respectivamente, trabalhando a questão da convivência religiosa respeitosa.

Tem gente que nutre a necessidade de comparar novela infantil com adulta. São públicos-alvo distintos e a forma de trabalhar a história é totalmente diferente. “Cúmplices de um Resgate” pode ser comparada com Carrossel e Chiquititas. A primeira diferença entre elas está na questão de variação no público: a primeira era essencialmente infantil, a segunda infanto-juvenil, com núcleo adulto muito forte e a nova novela é uma novela teen, com personagens infantis e com um viés adulto forte. 

Mas você deve estar pensando (e com razão): então o SBT evolui a faixa etária principal das novelas para chegar a uma novela adulta? Talvez seja uma forma inteligente de fidelizar o público construído desde Carrossel. Afinal, as crianças de 2012 estão crescendo. E elas precisam dessa resposta do SBT, apresentando conteúdo que elas estejam sintonizadas naquele instante.

É por isso que sou ferrenho defensor de um segundo horário de novelas. Afinal, uma hora não haverá mais como avançar nessa faixa etária e tudo vai recomeçar com uma novela infantil ou vai estabilizar com um perfil definido. É preciso que o SBT pense em um horário adulto para fazer esse caminho de público. Se o SBT formou um público noveleiro na faixa infantil, infanto-juvenil e agora até mesmo adolescente, ele tende a se tornar um adulto noveleiro em outras emissoras, mesmo que sua memória afetiva esteja ligada às tramas de Íris Abravanel.

Voltando a Cúmplices: a novela também se diferencia das antecessoras, pelo fato de ser uma novela praticamente inédita sendo construída. Segundo Íris, existem 90 capítulos “aproveitáveis” do original de Cúmplices de um Resgate. A novela terá, segundo a própria emissora, no mínimo 250. Ou seja, quase o triplo. Carrossel e Chiquititas não sofriam desse problema, afinal, eram novelas centenas de capítulos e, no caso de Chiquititas, várias temporadas.

Vejam que eu disse “no mínimo 250”, o que dá praticamente um ano no ar ininterruptamente. Isso quer dizer que a novela pode terminar lá por volta de agosto de 2016. Com Olimpíadas no ar e horário político por começar. Ou seja, as chances dessa novela ser esticada até 2017 não são pequenas e esse o próximo passo que o SBT precisa evoluir. Chiquititas, que é uma boa trama, sofreu em qualidade muito com os esticamentos sucessivos, com direito a vários clipes e flashbacks a cada capítulo.

Para fechar o artigo vou ao princípio de tudo: é possível que ainda não haja o devido reconhecimento às novelas infantis ou infanto-juvenis a ponto de fazê-las concorrer em pé de igualdade com as adultas da concorrência. Mas o certo é que o SBT conseguiu, estrategicamente, apostar em um produto bom, eficiente, lucrativo (especialmente com produtos licenciados) e cujo público é muito fiel. Acredite, o sucesso de uma trama nesses moldes não implica dizer em um fracasso de uma adulta. E sim que o público brasileiro está buscando alternativas. E isso não dói.

Creditos: Cúmplices Brasil

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